Top 5 – Canções Agridoces

E cá estamos falando de canções novamente. Foi o propósito para a criação e o batizado deste blog, mas bloqueios mentais e a falta de tempo desvirtuaram a idéia inicial. Não que escrever sobre outros assuntos não seja tão legal. Só que um pouco de foco nunca é demais.

 

 

Bom, quando eu decidi escrever sobre as sensações que as canções me provocavam, uma das primeiras nas quais pensei era uma que, de certa forma, me engana. Ela tem um arranjo que me faz lembrar músicas de comercial de margarina, com famílias felizes, casais lindos e filhos mais lindos ainda. Só que a letra é tão amarga quanto Campari. É o poder que alguns acordes têm para desvirtuar interpretações.

 

 

Lembro de um exemplo infame de que isso não acontece só comigo. No finado programa “Fica Comigo”, da MTV, o “querido” (participante que tinha que escolher com que garota ele queria ficar no final) tinha que escolher uma trilha sonora para o beijo final, que na verdade poderia nem acontecer. E um cara desses, certa vez, escolheu “Bohemian Rhapsody”, do Queen. Provavelmente pensava que em meio aqueles dedilhados e vocalizações, Freddie Mercury falava sobre amor. Das duas uma. Ou o rapaz realmente não sabia inglês ou era um bocó.

 

 

Lembrar essa idéia me inspirou a fazer um top 5 com as canções que mais causam esse tipo de confusão. E todas elas têm algo em comum. Falam sobre separações, apesar das melodias doces, singelas ou até mesmo sexies. Não são as músicas MAIS agridoces da HISTÓRIA. Mas são as mais representativas para mim. Hope you enjoy it!

 

 

5 – “Communication”, Cardigans

É a faixa de abertura de “Long Gone Before Daylight” (2003), disco mais “slow motion” da banda sueca. É baseada em dedilhados de guitarra e sobe o tom no final, como a maior parte das músicas cafonas. Tem uma melodia linda que inspira um namorado a dedicá-la à namorada num programa de rádio daqueles românticos da madrugada. Mas não. Não faça isso. A não ser que você esteja de saco cheio dela(e). “Communication” fala de um casal fora de sintonia. Ela está o tempo todo disponível e amorosa. Ele parece não dar a mínima. E ela sofre, pois achava que ele tinha tudo o que ela procurou nos outros homens e não encontrou. Então, a vocalista Nina Persson chora, diz que nunca vai aprender como amá-lo, apesar de saber que vai amá-lo o que quer que aconteça. “Mereço um recorde por ser paciente / com esse seu tipo de hesitação / preciso de você, você me quer, mas não sei como conectar / então eu desconecto”. Nina, se precisar de consolo, me adicione no MSN.

 

 

4 – “Backfire”, Aimee Mann

Está no álbum “Bachelor #2 or The Last Remains Of The Dodo” (2000). E é aquela faixa que citei no texto de abertura. Na primeira vez em que ouvi “Backfire”, ela me pareceu a trilha sonora perfeita para acordar a mulher da minha vida com uma bela bandeja de café da manhã na cama. Até o momento em que li a letra, que tem um amargor profundo o suficiente para matar a doçura da melodia. Ela quer se separar. Ele quer insistir, acha que vai dar certo. E ela tenta provar por A+B para ele que tudo está perdido. Até leva cervejas e biscoitos para ajudar uma nada agradável DR. “Estou cansada de ter que tentar / te convencer de que se eu continuar com você vai dar tudo errado / eu sei que você tinha planos / suas intenções eram grandiosas / mas já escapou das minhas mãos” . Não gostaria de ouvir essa, mesmo dedicada pela maravilhosa Aimee.

 

 

3 – “Leve”, Chico Buarque

Está no disco “Carioca” (2006), o último de inéditas de Chico. Eu não a conhecia até recebê-la de uma pessoa que, acredito, quis me passar a mensagem desta bela canção. Ela é singela e carinhosa, mas, para merecer estar nesta lista, é porque fala de uma separação. Chico parece falar de um relacionamento que teve seus bons momentos, mas que ainda precisava de algum “fator X” para ser mais duradouro. Pelo menos é isso que ele me faz entender. O narrador tem todo o cuidado do mundo para não magoar a destinatária da canção. “Não se atire do terraço, não arranque minha cabeça / da sua cortiça / não beba muita cachaça, não se esqueça depressa de mim, sim? / pense que eu cheguei de leve / machuquei você de leve / e me retirei com pés de lã / sei que seu caminho amanhã será um caminho bom / mas não me leve”. Um morde-e-assopra desses não tem como não ser perdoado…

 

 

2 – “For No One”, Beatles

Está no clássico “Revolver” (1966), meu disco favorito dos Fab Four. É praticamente uma música solo de Paul McCartney, conduzida por um belíssimo cravo e com um solo de um instrumento de sopro que me parece um clarinete. “For No One” fala de forma impessoal sobre um amor que parecia intenso e eterno, mas se desgastou com o tempo. Pelo menos na parte feminina da relação.  “Ela acorda, ela se apronta / ela segue a rotina e não sente que tem que se apressar / ela não precisa mais de você”. E a dor masculina não estanca. “Você a quer / você precisa dela / por isso não acredita quando ela diz que o amor de vocês morreu”. Macca ajuda a contrariar quem acha que homem não sofre por amor.

 

 

1 – “Here, My Dear”, Marvin Gaye

É a faixa título de um dos discos mais pessoais da história da música pop. Lançado no final de 1978, “Here, My Dear” conta do início ao fim a história do divórcio de Marvin Gaye e sua primeira mulher, Anna Gordy. A confusão começou dois anos antes. Marvin já tinha uma amante e levava uma vida um tanto quanto extravagante: gastava montanhas de dinheiro em casas, carros e cocaína. Enquanto Marvin se acabava, Anna lhe cobrava o dinheiro da pensão do filho Marvin III. Para terminar de vez com a chateação, o advogado do cantor sugeriu que ele compusesse um disco e desse os direitos autorais para a ex-mulher. Marvin aceitou a idéia. Em compensação, exorcizou todos os demônios em canções. E assim surgiu “Here, My Dear”, um álbum um tanto quanto preguiçoso e agridoce, autobiográfico e provocativo do início ao fim. O título da faixa “You Can Leave But It´s Going to Cost You” resume bem o espírito. Mas a síntese de todo o sentimento de Marvin contra a ex-mulher está na faixa de abertura, que batiza o disco. É um verdadeiro manifesto, uma carta de intenções, quase um tapa na cara. O vocal típico de Marvin, a guitarra com efeito wah wah (quase à la “Let´s Get It On”) e os ooh-oohs nos vocais de apoio enganam e muito! Sintam a força dos primeiros versos. “Eu acho que tenho que te dizer que esse álbum é dedicado a você / apesar de que talvez você não fique feliz / é o que você queria / então eu te dei”. Marvin não se dá por satisfeito e reprime a ex-mulher sem papas na língua. “Você não tem direito de usar o meu filho para me manter na linha”. E ainda há espaço para mais ironia. “Que o amor sempre te possua / que a paz entre na sua vida / sempre lembre de mim do jeito que eu era / sim, eu era o seu bebê”. GÊNIO DA RAÇA!




 

 

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11 pensamentos sobre “Top 5 – Canções Agridoces

  1. Esse post me fez lembrar de uma música do Robbie Williams, a Sexed up, tão romântica, foi trilha de casalzinho fofo de novela do Manoel Carlos… E simplesmente o cara manda a mulher “se fu…”, espera que ela exploda e essas coisas nada agradáveis… Estranho mesmo isso de misturar ritmo leve com letras pesadas.

  2. Teve uma vez no Fica Comigo que o cara mandou tocar Black do Pearl Jam. Além da letra não ter nada a ver, a entrada da bateria é bem barulhenta e fez a moça vendada dar um pinote quando o cara estava a dois passos do beijo.

    E lembro de estar com umas amigas na Cachaçaria, há uns vários anos, e quando a banda tocou Sexed Up uma delas falou: “essa é a famosa MGM, música pra ganhar mulher!”. Pfff…

  3. Este post tb me lembra “The blower´s daughter”, que, se vc reparar no final, o Damien fala “Untill I find someone else”….

    para o delíiiiirio dos que duvidam do amor!!

  4. Isso você conhece: clip maluco de Party Hard do Pulp, com gente dançando aeróbica numa guitarra pesada e os letreiros com “SUFFER” piscando entre uma e outra coreografia sem noção.

  5. obaaa! que bom que o flog voltou por aqui 🙂
    adorei as músicas, mas eu vivo dedicando músicas corte os pulsos ou letras nada haver por causa da melodia. vou parar pra pensar mais sobre isso.
    só vim aqui pq além de eu ser mto tua amiga, foi como um protesto pra não abandonares isso aqui de novo.
    beijos.

  6. Oi Leonardo! bem, acho que tu não lembras de mim, mas vou tentar. No iníco deste ano fiz um teste pra rádio unama e sou filha da felicia, que foi tua professora. não conhecia teu blog. adorei, já que também adoro música. Quanto às confusões musicais, acho que boa parte delas são provocadas porque a melodia consegue mexer com nossos sentimentos primeiro que a letra e de forma mais intensa. aí, constumamos associar toda a música ao sentimento que a melodia nos proporciona. mas acho que todas as formas de arte são meio confusas assim. pelo menos é isso o que eu acho.

    beeijos

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