A bela do subúrbio

 

Abro mão da típica demagogia de macho pra assumir: gosto de ver novelas na televisão. Não sou daqueles que assistem a todas ou largam mão de qualquer outra coisa para sentar a bunda na frente da TV. Mas costumo dar uma espiadinha quando a história é boa ou, mais freqüentemente, quando há uma grande musa. Em geral, é uma explosiva combinação: bela atriz novata + personagem provocador. Foi assim com Luana Piovani em “Quatro Por Quatro”, em que ela interpretava uma estudante de medicina rebarbada. E também com Regiane Alves em “Mulheres Apaixonadas” com uma vilãzinha sensacional que maltratava os avós.

 

Minha musa da hora é uma manicure espevitada que fala um monte de besteira e sonha em ser sub-celebridade. Ela está na novela “Beleza Pura”, é interpretada pela atriz Ísis Valverde e atende pelo nome de Rakelly. Um nome bem suburbano para uma beleza não menos da periferia. Daquelas deusas que você encontra no ônibus na volta do trabalho, segurando o ferro ensebado e pensando no outro coletivo que ela vai precisar pegar para chegar ao conjunto habitacional onde vive. Daquelas que se impressionam facilmente com qualquer coisa que você diga e pareça inteligente.

 

E é exatamente este o universo de Rakelly. Ela trabalha no salão de beleza da mãe. E entre alicates, esmaltes e unhas pintadas, alimenta o sonho de se tornar dançarina do Caldeirão do Huck. Fala demais e como é desprovida do mínimo de esperteza, comete algumas deliciosas mancadas. Na verdade, essas pérolas do humor involuntário só se tornam deliciosas porque Rakelly é um absurdo de linda. Sorriso de namoradinha, um olhar ao mesmo tempo ingênuo e malicioso e um corpinho nos trinques. Só porque é ela, a voz infantilóide passa a ser um charme. O jeito estabanado, aceitável. A burrice, fundamental. E as roupas extravagantes, perdoáveis. Afinal de contas, elas vão estar fora do corpo em breve. Dá vontade de levar pra casa e substituir o cigarro pós-coito por um livro de português. Ela é como se fosse uma versão 2008 da inesquecível Babalu, de Letícia Spiller em “Quatro Por Quatro”.

 

O mais interessante disso é que a própria intérprete de Rakelly é um exemplar de outro tipo de beleza suburbana: a menina do interior. Até três anos atrás, Ísis Valverde nunca tinha andado de metrô na vida. Nasceu numa cidade do interior de Minas Gerais chamada Aiuruoca. Lá vivem apenas 8 mil habitantes. Imagine passar por um lugar desses (mesmo sem saber por que diabos alguém teria motivos para ir até Aiuruoca) e dar de cara com uma mulher dessas. É motivo suficiente para abandonar as comodidades e o estresse da metrópole em busca de uma vida mais tranqüila e com uma companhia melhor. Se você acha que ser o “cara da cidade” representa algum apelo, quem sabe não tropeça numa candidata a Rakelly em alguma cidadezinha dessa por aí.

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4 pensamentos sobre “A bela do subúrbio

  1. “Dá vontade de levar pra casa e substituir o cigarro pós-coito por um livro de português.”

    Mesmo com toda a minha implicância, achei essa parte genial. hahaha

  2. Ela é linda mesmo hahaha mas não te aguento mais com isso. As combinações de roupa dela tbm são fantásticas hahaha mas enfim, né, quem está reparando pra isso? Homens…

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