Aerosmith, musas e fantasias adolescentes

1993. Eu sou apenas um pré-adolescente de 10 anos de idade, colecionador de paixões platônicas na escola e que tem em um recém-comprado Super Nintendo a melhor perspectiva de um fim de semana divertido. Bolava tabelas de campeonatos de futebol para jogar sozinho na mesa de botão. Sim, eu jogava contra mim mesmo e ainda achava graça nisso.

 

1993. O Aerosmith é uma banda com mais de 20 anos de carreira. Viveu um grande sucesso como uma espécie de sub-Led Zeppelin nos anos 70, mas deixou belos álbuns como “Rocks” para a história. Por causa do abuso de drogas, se esfacelou nos anos 80 e caiu no ostracismo até ser salvo por uma parceria com o grupo de rap Run DMC numa regravação do hit “Walk This Way” em 1987.

 

O cruzamento das trajetórias de um nerdzinho de apartamento e de uma banda recém-erguida da decadência teve como catalisador o disco “Get A Grip”, que consolidou o Aerosmith nas FMs nos anos 90. Rocks sem frescura, baladas radiofônicas e um ranço setentista eram os ingredientes. Mas o segredo definitivo do sucesso do grupo de Steven Tyler e Joe Perry, pelo menos entre meninos da minha idade naquela época, foi uma trilogia de videoclipes inesquecíveis que permearam fantasias onanistas de guris como eu e até de caras bem mais velhos. “Crazy”, “Amazing” e “Cryin´”. Três épicos vídeoclípicos, três pequenos road movies que dosavam historinhas dignas da Coleção Vagalume com sensualidade juvenil e uma pitadinha de malícia.

 

“Cryin” foi o vídeo que deu início a esta pequena saga. Em 5 minutos e 39 segundos, o mundo conheceu Alicia Silverstone. Aos 16 anos de idade, ela representou na tela uma situação nada incomum. É uma jovenzinha que resolve despirocar depois que descobre que o namorado a traiu. Começa se vingando do rapaz, dando uns bofetes na cara do moço e o abandonando na beira de uma estrada empoeirada. Depois faz uma nova tatuagem em cima da que já tinha: um coração com o nome do ex. Vira andarilha, coloca um piercing no umbigo e dá uma surra num cara que tenta roubar a bolsa dela num bar. Isso tudo até o clímax: mobiliza toda a polícia e o ex-namorado ao ameaçar se jogar de uma ponte. Mas o suicídio é impedido por um mal disfarçado cabo que improvisa um bungee jump. A historinha de revolta adolescente inspirava as meninas na busca de vingança e encantava os meninos com aquela belezoca que despontava.

 

O sucesso de “Cryin” provavelmente levou o Aerosmith a insistir em sua nova musa no clipe de “Amazing”. Com um orçamento aparentemente bem maior e efeitos especiais que hoje soam datados, a banda fez uma espécie de “On The Road” punheteiro-high tech. A fantasia dos nerdzinhos começava no equipamento do protagonista do clipe. Um super computador (para os padrões de 93, que fique bem claro) com apetrechos que possibilitavam experimentos com realidade virtual. Com a parafernália, o “herói” do vídeo se transportava para a tela do PC com várias mudanças no visual: cabelo cortado, óculos escuros transados e espinha no rosto espremida. E ele buscava no clipe de “Cryin” uma para uma aventurinha. E assim ele beijava Alicia Silverstone enquanto pilotava uma moto em alta velocidade, pegava carona num aviãozinho, fazia sky-surfing… Quase 7 minutos de oba-oba com aquela que já se tornava um símbolo sexual dos anos 90. Nem os efeitos especiais cafonas tiram o sabor de nostalgia que dá ao rever esse vídeo.

 

Muitos prêmios no VMA´s e primeiros lugares nas paradas da MTV em todo o mundo não pareciam o suficiente. E assim, o Aerosmith resolveu fazer o blockbuster dos clipes pop. “Crazy” não se contentou em ter uma musa. Mas sim DUAS. Ao lado de Alicia Silverstone, Liv Tyler (também aos 16 aninhos) povoou o imaginário adolescente masculino da época com uma síntese de quase todas as fantasias possíveis e imagináveis da fase espinhenta da vida. Duas gatas com uniforme de colegial fogem da escola num carro conversível e saem por aí para provocar. Rebolam para o frentista no posto de gasolina, tiram fotos sem roupa e dão de presente para o balconista da loja de conveniência, fazem um show de strip e pole dancing… Para acabar de arrebentar qualquer cueca, elas ainda ensaiam uma guerra de travesseiros numa cama de um hotel barato e tomam banho de rio em trajes sumários depois de “seqüestrar” um lavrador com cara de modelo. Inesquecível, inesquecível…

 

Quinze anos depois, o Aerosmith está fora dos holofotes. Alicia Silverstone e Liv Tyler já são trintonas, mas continuam musas. Eu deixei o videogame de lado, abandonei o futebol de botão solitário e troquei as paixões platônicas por um amor real. O que eu realmente sinto muito é que os pré-adolescentes de hoje em dia não têm as mesmas referências que a minha geração teve com essa trilogia espetacular. Menos mau para eles que, ao contrário do meu tempo, agora o You Tube existe.

 

Veja Cryin , Amazing  e Crazy 

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14 pensamentos sobre “Aerosmith, musas e fantasias adolescentes

  1. Bons tempos! Essa trilogia também foi muito marcante na minha fase espinhenta, quando o que mais importava era jogar Street Fighter e aprender os mortais de Mortal Kombat (depois de comprar a Game Power ou a Ação Games, claro).
    Outro clipe que marcou muito tb foi Hole in My Soul: http://www.youtube.com/watch?v=Nj5CY94s8mU
    Agora esses jovens de hoje em dia (que velho eu sou!) tem tudo na mão, basta entrar no youtube e ter à disposição todos os clipes do mundo. Na minha época eu tinha que ver o Ponto Zero da MTV para ver as estréias em “primeira mão” :~~

  2. lembro que adoraaaava esse clipe. deixava meu vídeo cassete no ponto pra qdo passasse eu gravar no meu vhs hahaha. hole in my soul tbm era legal. mas foi mais pra cá, 97, não? que o cara queria fabricar a namorada ideal e tal e sempre perdia depois. sempre ficava com pena do carinha lá. ah, a maioria dos clipes do aerosmith eram legais. beijos, hermano.

  3. Marcaram época mesmo. Hole In My Soul é 97, sim, a cara da minha oitava série. O nerd que penava pra conseguir a primeira namorada e fabricava uma atrás da outra…

    A Liv Tyler hoje tá mais massudinha, mas acho até que ficou mais bonita, principalmente pelo fato de mostrar que não encana com isso. Já a Alicia, nem sei o que anda fazendo…

  4. Faltou mencionar a participação mais que especial do Sawyer (Josh Holloway) como o cara que rouba a bolsa da Silverstone e leva um cacete dela… Coisa básica, que acontece no cotidiano das grandes metrópoles, sabe?

  5. Cara… que texto irado… fui lendo e rindo porque tudo que você foi dizendo acontecia comigo… mas só descobri mesmo essas músicas com um pouco mais de idade. Em 1993 eu tinha 5 anos… era bola e street fighter no nintendo…rs porém meu irmão tinha o costume de gravar os clipes que passavam na mtv e por sempre me interessar por música passei a ter o mesmo hábito… ligava o vídeo, controle na mão e REC… até que um dia meu irmão pediu que eu gravasse o show do Rolling Stones no Hollywood Rock de 1994(não sei se teve outro ou se a data é exata). O único problema é que não havia mais fitas “virgens” e eu fui vendo a que tinha clipes mais chatinhos pra gravar por cima. Era nirvana, alice in chains e guns n’ roses adoidado e pra minha grata surpresa, bem no fim de “under the bridge” começava “amazing” fiquei muito vidrado no lance da moto e tal… putzzz.. daí pra frente meus comandos em ação só andavam de moto e se beijando com uma barbie…rs Creio que o último clipe nesse estilo dos caras foi o “hole in my soul” nesse eu já era mais velhinho e sonhava com isso… tenho o nine lives até hoje…rs

  6. Só pra constar… muita gente falando de artistas que aparecem nos clipes… no “Hole in my soul” tem vários, a primeira namorada que ele “constroi” é a eva mendes(hitch, motoqueiro fantasma), se eu não me engano a jamie king(sin city) faz o papel da menina que gosta do cientista e o jogador de futebol que pega a sua segunda namorada é o stifler…rs(sean patrick scot eu acho)… muito bom…

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