As 10 maiores humilhações do seu time – parte 1

A memória do futebol não é marcada apenas por craques, campeões e grandes vitórias. Todas essas lembranças tem um lado derrotado. Uma torcida frustrada, um goleiro que tomou um frango, um zagueiro que tomou um drible pelo meio das pernas… E acredito que a nobreza do verdadeiro torcedor se revela na recordação dos momentos de tristeza. Afinal de contas, difícil é ter a honra de chorar uma derrota, de continuar apoiando o time apesar de uma lavada daquelas, de testemunhar um sofrimento ultrajante e ainda assim fazer questão de cair de pé.

 

Inspirado por esta teoria e pelas séries dos blogs Impedimento e La Redó, decidi fazer a versão paraense da série “As 10 Maiores Humilhações do Seu Time”. Escrevo sobre Remo e Paysandu para deixar no ar o mistério sobre a minha preferência clubística…

 

AS 10 MAIORES HUMILHAÇÕES DO REMO

 

10) Remo 0x1 Paysandu (1992) – 4 vezes

 

O Remo tinha uma das mãos no troféu de campeão paraense de 1992. Até encontrar com o Paysandu na decisão do segundo turno. Precisava de dois empates para conquistar o turno e o tetracampeonato estadual sem uma final extra. Mas conseguiu uma “façanha”: perder quatro jogos consecutivos para o maior rival, em menos de um mês. Todos por 1×0. A perda do caneco foi sacramentada no dia 13 de dezembro, com um golaço do atacante Mendonça, quase do meio do campo. Assim, o Paysandu quebrou o tricampeonato paraense do Remo. Por outro lado, esta foi a última vitória antes do tabu de 33 jogos sem vitórias do Papão no clássico.

 

 

Gol do Mendonça na quarta vitória bicolor por 1×0

 

9) Remo 2×8 Guarani (1993)

 

No início dos anos 90, o campeonato brasileiro era marcado por regulamentos esdrúxulos. Em 1993, por exemplo, 12 clubes subiram da segunda divisão. Foi uma forma de favorecer o Grêmio, que tinha caído em 91. O Remo pegou carona e jogou a série A por dois anos consecutivos. Em 1993, fez a melhor campanha de sua história no Brasileirão: terminou em oitavo lugar. Só que na fase final, não venceu um jogo sequer no quadrangular que tinha São Paulo, Guarani e o futuro campeão Palmeiras. Perto da despedida, o Leão foi humilhado pelo Bugre no Brinco de Ouro: 8×2, no dia 5 de dezembro. Um jogo para deixar narrador entediado. O Guarani tinha um jovem Djalminha em campo, mas o show foi de Clóvis e Tiba. Cada um marcou três gols. E o Remo voltou de Campinas com as orelhas a meio pau…

 

 

8) Remo 0x4 Paysandu (2001) – 2 vezes

 

Em 2001, o Mangueirão passava por reformas. Assim, os clássicos paraenses eram disputados no Baenão e na Curuzu. A decisão do estadual deste ano teve um Re-Pa em cada estádio. O Paysandu era bem mais time. Comandado por Givanildo Oliveira, tinha grande parte do elenco que viria a ser campeão da série B alguns meses mais tarde. E logo no primeiro jogo, o Paysandu humilhou. Dentro do Baenão, no dia 30 de junho, sapecou uma goleada de 4×0. O resultado deixou os remistas transtornados e os bicolores, relaxados. Tanto que, no segundo jogo, o Re-Pa não passou de um 0x0. Mais que suficiente para o Papão levantar a taça de bicampeão estadual. Só que o time alvi-azul guardou a artilharia para um clássico válido por um torneio amistoso, poucas semanas depois: outro 4×0.

 

7) Remo 0x6 Atlético/MG (1994)

 

A temporada de 94 foi marcada pelo primeiro dos vários rebaixamentos do Remo nos últimos 15 anos. Pelo menos foi da série A para a série B. Só que o jogo mais marcante nem foi o que selou a queda. E sim, uma derrota humilhante sofrida algumas semanas antes. Em pleno Mangueirão, o Leão tomou de 6×0 do Atlético Mineiro no dia 6 de novembro. O destaque foi o atacante Reinaldo, então uma jovem revelação do Galo, que marcou 4 gols. O goleiro que foi buscar meia dúzia de bolas era o maranhense Clemer, que veio a se tornar campeão do mundo 12 anos depois com a camisa do Internacional. O placar elástico foi decisivo para o rebaixamento, já que o Remo perdeu o desempate com o Cruzeiro na repescagem pelo critério do saldo de gols.

 

 

6) Remo 1×3 Tiradentes (2000)

 

O campeonato paraense de 2000 tinha tudo para ser um sucesso. Pela primeira vez, ele foi transmitido em TV aberta, com direito até a mascote (o esquecível Manguito). Só não se contava com a draga que o Remo atravessaria: foram sete jogos sem ganhar, o suficiente para que o clube ficasse realmente ameaçado de cair para a segunda divisão estadual. O jogo-símbolo dessa campanha pífia foi a derrota para o Tiradentes por 3×1 no Mangueirão no dia 1º de abril. O lateral Leandrinho, que fez um golaço por cobertura, acabou sendo o pivô de uma virada de mesa que salvou o Remo. O Leão alegou que o atleta estava irregular e conseguiu ganhar os pontos da partida. Acabou se livrando da queda, mas não ficou sequer entre os cinco primeiros.

 

5) Remo 1×6 Brasiliense (2004)

 

Desde que caiu para a segundona em 94, o Remo parecia um clube “irrebaixável” na série B. Passou dez anos consecutivos sem cair. Por mais que tivesse péssimos times, o Leão sempre se safava no final. Muito em parte por causa dos regulamentos regionalizados. Quando a disputa passou a ser mais nacionalizada, o bicho não demorou a pegar. Na segunda temporada em que todos jogaram contra todos, o Remo caiu. Na última rodada da fase de classificação, os paraenses ainda tinham chance de se salvar. Só que tinha pela frente ninguém menos que o líder Brasiliense pela frente, e fora de casa. A goleada de 6×1 no dia 25 de setembro só aumentou o vexame pelo rebaixamento para a terceirona. Principalmente numa época em que o rival Paysandu estava na primeira divisão.

 

4) Remo 1×1 Corinthians (1996)

 

Este foi o vexame mais amplificado da história do Remo. Imagine o seu clube eliminando um grande time do eixo Rio-São Paulo da Copa do Brasil, com o jogo sendo transmitido pela TV para todo o país. Agora pense nessa festa sendo guilhotinada por um gol contra aos 47 do segundo tempo. Pois isso aconteceu no dia 9 de abril de 1996. Remo e Corinthians, que haviam empatado em 0x0 no jogo de ida em São Paulo decidiam uma vaga nas quartas-de-final. O Timão era o dono do título da Copa e tinha Edmundo, Marcelinho Carioca em grande fase, Tupãzinho, Zé Elias… O Leão, comandado pelo inesquecível Valdemar Carabina, apostava na dupla de ataque Ageu Sabiá e Edil Highlander. No segundo tempo, o lateral Júnior abriu o placar para o time da casa. O 1×0 era suficiente para classificar o Remo. O goleiro Claudecir pegava tudo, fazia defesas milagrosas. Só não esticou a perna o suficiente para defender o chutaço de Castor aos 47 minutos do segundo tempo. O atacante remista marcou um dos gols contra mais toscos já vistos no Mangueirão. Não bastasse a eliminação dolorosa, o vexame ainda continuou quando dirigentes do Remo invadiram o campo para agredir o árbitro Wilson de Souza Mendonça. A noite trágica é motivo de chacota até hoje e mesmo longe dos gramados paraenses, Castor não conseguiu sair da sombra do gol mais marcante de sua carreira.

 

 – Baú do Esporte, do Globo Esporte.com, com os gols e a confusão no final.

 

 – compacto completo da TV RBA.

 

3) Remo 1×2 Rio Branco (1997)

 

Em 1997, a Copa Norte foi ressucitada. O torneio havia sido disputado algumas vezes na virada dos anos 60 para os 70, mas ganhou novo formato justamente numa época brilhante do Remo. O Leão era tetracampeão paraense, estava há mais de quatro anos sem perder um clássico para o Paysandu e tinha um time razoável. Assim, a Copa Norte, disputada contra “gigantes” como o 4 de Julho de Piripiri e o Ypiranga de Macapá seria uma baba. E assim foi na primeira fase: quatro jogos, quatro vitórias. O Remo se classificou para disputar a final contra o Rio Branco, do Acre. No primeiro jogo, fora de casa, um empate em 0x0. No jogo decisivo, em Belém, a torcida já dava como favas contadas. Uma vitória simples sobre um time acreano não seria nada complicado. O Leão fez 1×0. Mas não contava com a reação do Estrelão. Os gols de Palmério e Vinícius mudaram o rumo do troféu e o Rio Branco protagonizou uma espécie de “Mangueirazzo”. Para os torcedores, o pior foi agüentar a comemoração dos acreanos, imitando remadores numa canoa imaginária no gramado. Dureza.

 

2) Remo 0x3 Rio Branco (2008)

 

Onze anos depois da perda da Copa Norte, o Remo teve o Rio Branco no caminho de outro vexame. O Leão precisava se classificar para a terceira fase da série C para se manter na competição no ano seguinte, já que o campeonato teria o número de clubes reduzido de 64 para 20. Depois que o Leão empatou com o Holanda e venceu o Luverdense fora de casa, parecia uma tarefa facílima. Afinal, dos três jogos que restavam, dois seriam em casa. Só que isso acabou virando um vexame em três atos. Em casa, o Remo empatou com o Luverdense em 1×1 e demitiu o técnico Artur Oliveira. Também em casa, já com o treinador Luís Carlos Martins, perdeu para o Holanda por 1×0. Ainda assim havia chances. Mas era preciso vencer o Rio Branco na Arena da Floresta. Não deu. O Estrelão meteu 3×0 e o Remo foi eliminado e rebaixado. Terá que tentar lutar para conseguir uma vaga na série D. O poço nunca pareceu tão fundo.

 

1) Paysandu 7×0 Remo (1945)

 

Essa humilhação é tão grande que atravessa gerações. Não há registro em vídeo. Não há nada, além de jornais amarelados, textos rebuscados, fotos com má definição… Só que o mais importante é a memória de quem viveu. Senhores na casa dos 70 ou 80 anos são os responsáveis por alimentar a encarnação dos bicolores em cima dos remistas graças à maior goleada da história dos Re-Pas. Foi no dia 22 de julho de 1945, pelo campeonato paraense, no estádio do Remo. Soiá marcou três gols. Hélio outros dois. Farias e Nascimento completaram o show bicolor. Segundo o jornal “A Vanguarda” do dia seguinte, o placar não reflete o equilíbrio que o jogo teve no primeiro tempo. Mas a descrição do segundo tempo não permite dúvidas a respeito do vexame: “O Remo, com um “Buraco” na linha média resultante da saída de Vicente, entregou-se logo nos primeiros minutos do segundo tempo. E a turma da Curuzu não conversou. Tirou partido da situação, como qualquer um faria. Meteu gol, e muito. Depois procurou debochar, humilhando ainda mais o time de Antonio Baena que deixou-se abater por alto escore, numa verdadeira debacle para todo onze”

 

Em breve, os vexames do Paysandu

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4 pensamentos sobre “As 10 maiores humilhações do seu time – parte 1

  1. Como eu disse, esse rexpa de 92 foi marcante pra mim porque eu entrei em campo com o autor do gol, Mendonça “Nego Bala”. Acredite ou não, eu disse que ele faria o gol da vitória. Dito e feito.

    Em relação à lista com as humilhações do Paysandu, não precisa escrever. Ou revelo tua preferência clubística :p

    Abraços.

  2. Meninos, eu vi…

    esse gol do Castor mais ou menos da linha de meio campo. Concordo com o Doda, foi o pior momento da história do futebol mundial.

    Pena q até para sermos humilhados, caímos de padrão.

    Volta RexPA! Lei do passe urgente!

  3. Sou remista mas como camirador do futebol não poderia de fazer o mesmo post que fiz no Parte 2: Sensacional.

    É muito bom ver que RExpA independente de vitoriosos e derrotados o gostoso mesmo é a história que o clássico a cada embate cosnstrói.

    Parabéns!

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