Tipinhos de albergue

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Meu amigo Elvis costuma dizer veementemente: “Porra, Léo, teu blog só funciona quando tu tás solteiro!”. Não é por uma questão de obediência, mas sim de comprovar a constatação, que Vidas Sonoras está aqui outra vez. Sem conseguir explicar essa relação entre status conjugal e a produtividade blogueira, simplesmente aproveito que a inspiração surgiu e resolvo compartilhá-la com vocês.

Viajar sozinho tem suas vantagens. Você não depende do humor de outra pessoa para definir o seu roteiro. Além disso, não tem aquela censura altruísta de abrir mão de um programa que só você gosta em nome da boa convivência. Por outro lado, dependendo de como está a sua cabeça, um roteiro “all by yourself” pode ser absolutamente noiante. Afinal de contas, sempre é legal conversar e dividir impressões sobre os lugares no momento em que você os conhece.

Pois bem. Recentemente vivi uma necessidade brusca de transformar uma viagem a dois em uma experiência solo. E então recorri à tática mais fácil para superar este probleminha: um albergue ou hostel, como preferirem. Os albergues são muito mais comuns no exterior que no Brasil: hospedagens baratas dedicadas a jovens viajantes. Têm quartos coletivos (que podem ser divididos por até 8 estranhos), alguns possuem banheiros só no corredor, cozinha comunitária… O máximo de privacidade é um armário com chave. Eles compensam no clima de agregação. Geralmente têm bares ou ambientes que funcionam como pontos de encontro para a solidificação de novas amizades, como dizia o mestre conquistador Agnaldo Timóteo. Mesmo quem é mais retraído acaba arrumando, no mínimo, companhias para uma caminhada até os pontos turísticos. Também funciona como uma grande escola prática de idiomas: dá pra testar se o inglês ou o espanhol da sua escola realmente funcionaram.

Enfim, ficar em albergues é a minha opção desde que comecei a viajar sozinho, sete anos atrás. É um tempo razoável e suficiente para perceber alguns tipinhos bem comuns nesses locais, independente de onde você está:

a gordinha bagaceira. Anda com roupas folgadas e sempre paga peitinho ou cofrinho. Bebe todas, se assanha, dança com todo mundo… Nem sempre faz sucesso com os homens. Geralmente é usada como trampolim para chegar à amiga gata que viaja com ela.

o desenturmado. Tímido, retraído, introspectivo. Não parece ter o perfil dos alberguistas, mas ele está lá. Durante as festas, ele senta no cantinho, não fala com ninguém, só observa o movimento.

o israelense. Descobri que é um rito de passagem para os jovens nascidos em Israel. Depois de servir o exército e antes de entrar na faculdade, eles fazem longas viagens pelo mundo. Então, se você for para um albergue, é quase certo que você trombe com um israelense.

o galanteador. É um cara divertido, sociável e com algum charme que encosta em qualquer canto onde haja pelo menos uma mulher sobrando. E ele puxa papo na moral, elogia, tira graça com a moça, arranca sorrisos dela. Nem sempre tem o sucesso esperado, mas se diverte com as tentativas.

os desregulados térmicos. São pessoas que parecem não sentir a temperatura ambiente de um jeito normal. Quando o solzão está a pino, eles usam jaquetas, casacos, cachecóis, echarpes, botas… Se está um frio de rachar, saem de regata, short, chinelo…

os viciados em internet. O tempo está lindo lá fora, a festa está a todo vapor no bar do albergue, as meninas estão descontroladas implorando por companhia, mas esses caras não saem do computador. Batem papo no MSN, colocam fotos no Orkut… Deixam de aproveitar em nome do vício ou de nóias.

O cara mais gente boa do quarto

O cara mais gente boa do quarto

Tá faltando algum tipinho? Manda ver aí nos comentários.

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4 pensamentos sobre “Tipinhos de albergue

  1. super gostei do texto…
    vai entrar no meu guia de viagem quando eu for conhecer esse mundão. A identificação dos tipos de pessoas que encontramos em um albergue vai me ajudar a ficar perto de umas e afastada de outras… =P

  2. hahahah
    Os tipinhos supracitados estão bem de acordo com a realidade!!
    Vale ressaltar que os israelenses carregam um certo ar de superioridade e que os galenteadores são quase sempre argentinos….

    Faltou falar dos japoneses engraçados (que tiram muitas fotos e que pedem caipirinha qdo descobrem que você é brasileiro) e das as pessoas interessantes que estão na mesma vibe que vc e que, por curtirem passeios semelhantes, acabam se tornando ótimas companhias de viagem.

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