Top 5 – discos para evitar num pós-término de relacionamento

“Grace” – Jeff Buckley (1994)

jeff buckley

Buckley foi um herói outsider dos anos 90. Morreu aos 30 anos, depois de lançar apenas um álbum que acabou se tornando cultuado. Hoje, alguns trechos do disco soam quase como um presságio. Na faixa título, por exemplo, Buckley diz “não tenho medo de morrer” e “a chuva está caindo e eu acredito que minha hora chegou”. Mas “Grace” é marcado mesmo pela dor de cotovelo, no mais doloroso e sofredor dos sentidos. A terceira faixa, “Last Goodbye”, é uma súplica atormentada, conforme já expliquei num post anterior. Na quinta, “So Real”, Buckley diz “te amo, mas tenho medo de te amar”. Até que na sétima, “Lover, You Should´ve Come Over”, o trovador que morreu afogado apunhala covardemente os corações sofridos com uma das letras mais cortantes já escritas sobre o fim de um relacionamento. “Sou jovem demais pra agüentar / e muito velho pra me libertar e correr”. Buckley implora: “meu reino por um beijo no ombro dela / todo o meu sangue pela doçura do sorriso dela / ela é a lágrima que despenca da minha alma eternamente”. Dureza.

 “In The Wee Small Hours” – Frank Sinatra (1955)

frank sinatra

Sinatra era um conquistador malandrão. Mas como todo homem, também sofreu por amor. Quando terminou o relacionamento com a atriz Ava Gardner, The Voice destilou todas as suas mágoas em “In The Wee Small Hours”, que segundo o livro “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, é o melhor álbum de todos os tempos sobre uma separação. Os arranjos de Nelson Riddle potencializam a melancolia de letras como a de “Moon Indigo”: “sou apenas uma alma que é mais triste do que a tristeza pode ser”. Em “Can´t We Be Friends?”, Sinatra relata uma das piores coisas que um homem apaixonado pode ouvir. “Pensei que tinha encontrado a garota dos meus sonhos / agora parece que é assim que a história termina / ela vira pra mim e diz / ‘não podemos ser amigos?'”. E o que dizer de “I´ll Never Be The Same”? “Quando os passarinhos me dizem que é primavera / não consigo acreditar nesta canção deles / antes o amor era rei / mas reis podem ser errados”.

“Sky Blue Sky” – Wilco (2007)

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Na virada dos anos 90 para os 2000, o Wilco deixou de ser uma banda expoente do famigerado rótulo alt-country e embarcou numas de fazer um pop experimental e introspectivo. Depois de dois discos nessa linha, Jeff Tweedy e companhia resolveram dar uma guinada para outro estilo: um rock inspirado nos anos 70 (Steely Dan, Neil Young, discos solo do John Lennon) e com temas amargurados. Quase todas as canções falam de relacionamentos que acabaram ou estão por terminar. A primeira faixa, “Either Way”, lida com o término de um jeito conformista: “talvez você só precise de um tempo sozinha / eu vou tentar entender”. Em “Please Be Patient With Me”, Tweedy pede uma certa clemência: “eu devo te avisar quando não estou bem / não há nada que eu possa fazer para deixar as coisas mais fáceis para você / você vai precisar ser paciente comigo”. A faixa seguinte, “Hate It Here”, é o relato de um homem desesperado, que extravasa as dores de amor cuidando da casa, lavando a roupa e a louça. Mas o escapismo é inútil. “Eu tento me manter ocupado / mesmo sabendo que você não está voltando pra casa”.

 “Sea Change” – Beck (2002)

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Beck apareceu para o mundo em 1993 dizendo que era um perdedor e perguntando a alguém por que não lhe matava. Apesar deste cartão de visitas, o multi-instrumentista e compositor americano nunca deu muito espaço para a fossa em seus discos. Isso até terminar um relacionamento de 9 anos, fato que rendeu o álbum “Sea Change”. No lugar de samplers e letras irônicas, entraram os violões, arranjos de cordas e versos confessionais. Tudo com inspiração no folk de artistas depressivos como Nick Drake. As lamúrias começam com “The Golden Age”, faixa na qual Beck diz que “o sol não brilha nem quando é dia / e é preciso dirigir a noite inteira só pra se sentir OK”. Em “Guess I´m Doing Fine”, ele tenta nos convencer de que não está tão mal assim, só que não dá pra acreditar… “Tem um passarinho azul na minha janela / não consigo ouvir as canções que ele canta / e todas as jóias no céu / não parecem as mesmas para mim”. A paulada fica ainda mais forte em “Already Dead”: “sinto como se estivesse vendo alguém morrendo”. Sai pra lá, zica!

“Rockferry” – Duffy (2008)

duffy

Assim como Joss Stone, Duffy é uma jovem britânica e branquelinha com voz das divas negras do soul. A diferença entre elas é uma questão, com o perdão do trocadilho, de alma. Enquanto Joss Stone canta canções ensolaradas, Duffy está mais para um dia nublado. A capa em preto e branco de “Rockferry” é um bom simbolismo para um disco cheio de canções com a alma desprovida de cor. E quase todas falam de despedida, escapismo e relacionamentos fracassados. A vantagem é que Duffy consegue quase sempre se mostrar como a metade que saiu da história por cima. O problema é o “quase”, que dá espaço a músicas como “Scared”, que fala de pequenos detalhes que provocam aquelas lembranças avassaladoras: um livro com marcas de café, as revistas favoritas da pessoa amada, uma toalha esticada na janela… Tudo isso é aterrorizante. “Estou assustada para encarar um novo dia / porque o meu medo simplesmente não vai embora / num instante você se foi / e agora estou assustada”. Mas a obra-prima da fossa é a segunda faixa, “Warwick Avenue”. Fala de um relacionamento em que uma das partes insiste em tentar consertar as coisas e a outra não está tão disposta a isso. “Quando eu chegar a Warwick Avenue / vamos passar uma hora, mas não mais que duas / nossa única chance de conversar uma vez mais / te mostrei as respostas, e aqui está a porta”. O refrão é uma explosão de desabafo e rancor. “Estou te deixando pela última vez, baby / você pensa que está amando, mas você não me ama / tenho estado confusa e fora de mim ultimamente / você pensa que está amando mas eu quero estar livre”.

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