Michael e a vergonha alheia

Porque um rei do pop também pode provocar grandes constrangimentos coletivos.

We Are The World (1985)

Nem a mais nobre das intenções poderia salvar este desastre em último grau. E olha que ele não estava nada mal acompanhado: Bruce Springsteen, Stevie Wonder, Smokey Robinson, Bob Dylan, Ray Charles… Tirando alguns intrusos toscos como Kenny Rogers e Willie Nelson, era um timaço. Mas a música é ruim demais, impregnou gerações e virou sinônimo de música cafona.

Will You Be There (1991)

O disco Dangerous talvez tenha sido a última curva do auge de Michael Jackson. Nessa virada, os deslizes musicais começaram a ser mais comuns. Essa baladinha, que já é over por si só, ganhou doses cavalares de sacarina ao figurar na trilha sonora do filme “Free Willy” e merecer um clipe com a participação da famigerada orca.

You Are Not Alone (1995)

Dúvidas sobre a sexualidade de Michael Jackson existiam desde que o menininho que cantava “ABC” passou pela puberdade. Nos anos 90, ele surpreendeu o mundo ao casar com Lisa Marie Presley, filha de Elvis. “Casamento de fachada”, muitos disseram. Só que MJ foi fundo na tentativa de dobrar os incrédulos. Gravou um clipe em que ele e Lisa apareciam seminus e numa pegação pouco convincente. Constrangedor não só pelas cenas, mas também pela música que é ruim demais.

Palco invadido no Brit Awards (1996)

No meio dos anos 90, Michael posava de ativista. Compunha sobre igualdade, gravava clipes sobre preservação ambiental etc. Ainda colhia os louros do auge e não tinha a carreira tão prejudicada pelos escândalos da vida pessoal. Em 1996, recebeu um prêmio pelo conjunto da obra e fez uma apresentação. Michael cantou cercado de crianças e com uma caracterização quase messiânica. Jarvis Cocker, vocalista do Pulp, invadiu o palco sem cerimônias e fez um gesto obsceno para protestar contra a papagaiada. Foi detido, interrogado pela polícia e chegou a ser acusado de machucar algumas das crianças no palco. Mas nada foi provado. Ficou só a saia justa para a posteridade.

You Rock My World (2001)

Em 2001, Jacko lançou o seu último disco de músicas inéditas, “Invincible”. Escândalos e extravagâncias já chamavam mais a atenção do público do que a música propriamente dita. Mesmo assim, Michael quis causar. E o primeiro videoclipe do álbum teve uma versão época com mais de 12 minutos. Praticamente um curta-metragem, uma versão noir piorada de “Beat It” (no sentido da briga de bar). Já deformado pelas incontáveis plásticas, MJ aparece quase o tempo todo com o rosto coberto pela penumbra de um chapéu. E ele não consegue convencer nas cenas em que para de fazer tudo para olhar uma bela mulher que nem um pedreiro. Vergonha alheia potencializada ainda pela presença do eterno Marlon Brando.

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2 pensamentos sobre “Michael e a vergonha alheia

  1. Momentos tosquíssimos, mas Willie Nelson NÃO é tosco, pô! E já tá rolando até piadinha de que o Jarvis vai furar o enterro também, hehehe. Abraço.

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