Meus ídolos de bigode

Nigel Mansell

 nigel mansell

Se Ayrton Senna era a imagem do bom mocismo na Fórmula 1 dos anos 80 e 90, Nigel Mansell foi o símbolo da persistência. Nunca foi um piloto brilhante como Alain Prost, Nelson Piquet e o próprio Senna. Mas compensava com um pé pesado e com ultrapassagens e manobras audaciosas. Na década de 80, dirigia uma espetacular Williams, mas levou azar em acidentes ou na preferência da equipe por outro piloto. O grande ano do “Leão” foi 1992, com a lendária Williams FW14 super equipada com os apetrechos tecnológicos como controle de tração. Venceu 9 das 16 corridas da temporada e faturou o título mundial com um pé nas costas. Nos quase 20 anos de F-1, Mansell teve duas marcas registradas: o número 5 vermelho no bico dos carros e o bigode castanho bem farto.

Charles Bronson

 CharlesBronson_Typisch

Charles Dennis Buchinski foi um injustiçado. Por causa da carreira baseada em filmes western e com tiros a torto e a direito, ficou estigmatizado como um ator especializado em violência gratuita. Só que o arquiteto Paul Kersey, protagonista da sensacional série cinematográfica Desejo de Matar, é na verdade um grande homem que faz valer a máxima de Maquiavel: os fins justificam os meios. Se Kersey/Bronson sai matando todo mundo, é para vingar a honra da família. Nosso herói procura os bandidos que invadiram o apartamento de Kersey, mataram a esposa e estupraram a filha a ponto de deixá-la com danos psicológicos. Além disso, Charles Bronson (e seu bigode quase sempre irregular e desalinhado) é ídolo por ter trabalhado em minas de carvão durante a juventude e ter dirigido caminhões do exército americano durante a segunda guerra mundial. Sem contar que meu pai, seu Reginaldo, é um sósia impressionante do cara.

Agnaldo de Jesus

agnaldo 

Foi um dos grandes cabeças de área da história recente do Remo e um dos maiores ídolos da torcida azulina. Chegou bem despintado ao clube no início dos anos 90, junto com o zagueiro Chico Monte Alegre. Rapidamente ganhou lugar no time por ser um jogador raçudo, disciplinado e decisivo. Apesar de baixinho, marcou de cabeça o gol do título paraense de 1993. Foi titular absoluto de 1991 a 1997 e nesse meio tempo chegou a assumir o cargo de técnico interino num dos melhores causos do futebol paraense. Ao lado do zagueiro Belterra, Agnaldo comandou o Remo num clássico em 1997, na época em que o Paysandu não vencia um Re-Pa havia mais de 4 anos. O Papão saiu na frente e os dois jogadores-treinadores optaram pela ousadia: colocaram quatro atacantes em campo e viraram o jogo para 3×1. Como treinador, o “Seu Boneco” foi campeão paraense pelo Remo em 2004 na famosa campanha dos 100%: 14 vitórias em 14 jogos. Hoje em dia, Agnaldo alterna estágios como técnico em clubes pelo Brasil e o trabalho como caminhoneiro. E não abandona o indefectível bigode à la tenente da Polícia Militar.

Vito Corleone

 don_vito

Abro uma exceção na lista para alguém que não uma pessoa real. Marlon Brando viveu Don Vito no primeiro filme da trilogia O Poderoso Chefão, que pode ser considerada como a quintessência do cinema. E é um personagem memorável, de uma riqueza impressionante. Tá certo que ele é visto como o grande nome do crime organizado e da máfia italiana em Nova York. Mas no fundo é um homem de princípios, que coloca a família acima de tudo, valoriza a lealdade em todas as esferas sociais e respeita limites: se nega a aderir ao narcotráfico apesar do apelo das outras famílias ligadas à máfia. Isso sem falar nas fantásticas frases de efeito: “vou lhe fazer uma proposta irrecusável” e “mulheres e crianças podem ser descuidadas. Homens não”. O estilo do bigode é ralinho, porém clássico e marcante.

Luiz Felipe Scolari

 felipão

É a prova viva de que os pernas de pau podem ser bem sucedidos no futebol. Quando jogador, era um péssimo zagueiro que fez carreira no Caxias e no CSA. E foi no clube alagoano que começou a carreira como treinador, conquistando o título estadual em 1982. Depois rodou por clubes do Rio Grande do Sul e do Oriente Médio, até voltar ao Brasil em 1991 para conquistar a Copa do Brasil pelo surpreendente Criciúma. De 93 a 96, fez história no Grêmio e só não conquistou o Mundial Interclubes. Foi bem sucedido também no Palmeiras e no Cruzeiro e assumiu a seleção brasileira em uma de suas maiores crises da história, em 2001. Perdeu pra Honduras, deixou de convocar o Romário, mas deu a volta por cima comandando o pentacampeonato mundial na Ásia em 2002. Após conquistar a Copa, ficou seis anos à frente da seleção portuguesa, mas perdeu a Euro 2004 em casa e não passou de um quarto lugar na Copa de 2006. Em 2008, se tornou o primeiro brasileiro a comandar um grande clube inglês, o Chelsea. Não se deu muito bem. Hoje comanda o Bunyodkor, do Uzbequistão. E não abandona o bigodinho à la patriarca italiano. E nem o seu auxiliar técnico Murtosa, que também ostenta um frondoso bigode.

PS1: E os seus ídolos de bigode, quem são?

PS2: dica – o fantástico blog Ídolos de Bigode.

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6 pensamentos sobre “Meus ídolos de bigode

  1. vale dizer também que nigel mansell era um cara conhecido pelo conhecimento zero de mecânica. foi por causa deste defeito q em 1991, ele perdeu uma corrida ganha. Ele tinha 50 segundos de vantagem para Nelson Piquet quando reduziu a velocidade para saudar a torcida. O motor apagou e viu o ex-companheiro dando tchauzinho e vencendo. Mas ele também é um dos poucos pilotos que pode falar que tem um título de F-1 e F-Indy, sendo que na Indy, venceu no primeiro ano. Preciso pensar melhor nos meus ídolos. Na minha com certeza tiraria o Agnaldo pra botar Fred Mercury

  2. Tom Selleck. Foi um pecado esquecer o bigode mais erótico e famoso de Hollywood, nosso eteno Magnum.
    Agora para trazer um pouco de saudosismo, não posso deixar de citar o impagável Sassá Mutema, personagem de Lima Duarte em o Salvador da Pátria. Só mesmo ele sendo o “salvador” pra ostentar aquele bigode esdrúxulo.
    Corageeeeeeeeeeee!!!

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