Top 5 – Grandes músicas de bandinhas safadas

No dia 13 de julho de 1985, o músico irlandês Bob Geldof (ex-Boomtown Rats) organizou um grande festival para arrecadar dinheiro para ajudar os famintos na Etiópia. Em palcos nos Estados Unidos e na Inglaterra, se revezaram artistas e bandas como U2, Black Sabbath, Dire Straits, Bob Dylan, David Bowie, Queen, Elvis Costello… A importância do evento transformou o 13 de julho em uma famigerada efeméride: o Dia Mundial do Rock. Nesses últimos 24 anos, sobraram programações de qualidade duvidosa e reportagens toscas na TV e nos jornais. Quase sempre com clichês do tipo “o rock não morre”, “o rock sobrevive”, etc etc.

Vidas Sonoras não poderia passar batido nesta data tão cheia de inspiração (?) para quem gosta do ritmo que embala a juventude desde os anos 50. Entretanto, não vou lembrar dos gigantes, dos discos mais importantes, dos solos de guitarra mais históricos, das lendas mais curiosas. Afinal de contas, o rock também é feito de mediocridade e as bandas desprovidas de talento também são capazes de fazer grandes canções.

Spacehog – “In The Meantime”

O Spacehog foi uma banda inglesa baseada em Nova York formada em 1993. Surgiu na fase áurea e próspera do grunge, mas era mesmo influenciada pelo glam rock setentista. E foi com esse perfil meio “estou na época certa?” que o grupo lançou o disco de estreia, Resident Alien, em 1995. Segundo meu grande amigo e consultor Raphael, é um álbum em que nada presta além de “In The Meantime”, a faixa de abertura. Só que é uma faixa de abertura espetacular, que mereceria muito mais destaque no cancioneiro dos anos 90 do que as parcas exibições no “Gás Total” da MTV. Um rockão vigoroso, que me impressiona por uma combinação: uma linha de baixo absurdamente excelente e um vocal espetacular. E qual não foi minha surpresa ao descobrir que o vocalista e o baixista são a mesma pessoa? Quem é músico (ainda que é amador) sabe o quanto é difícil fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Portanto, ponto pro Spacehog.

Catatonia – Road Rage

Conheci o Catatonia por meio de uma resenha na finada revista Showbizz, que falava de uma banda galesa comandada por uma “ruivinha insolente” que cantava letras com alguma dose de ironia e fúria. A tal cantora é Cerys Matthews, dona de um timbre vocal bem peculiar e fã incondicional de uma manguaça. A tal resenha era do disco “International Velvet”, que foi puxado pelo hit “Road Rage”. Hit no Reino Unido, que fique bem claro. Lá nas terras da Rainha, a música liderou as paradas de singles, bombou nas rádios e nas listas de melhores de 1998. Também pudera: um pop impecável, com três mudanças de tom, um refrão grudento no melhor sentido da palavra e um sotaque gracioso. Repare na pronúncia da palavra “Rage” e concorde comigo.

Hole – Violet

Courtney Love sempre foi manchete, mas quase nunca pelo talento e quase sempre por algum escândalo ou polêmica. O disco mais famoso de sua banda Hole, “Live Through This”, foi lançado em 1994, poucos dias depois da morte de seu marido Kurt Cobain. O álbum fez algum sucesso e emplacou hits como “Miss World”, “Doll Parts” e especialmente “Violet”, um compêndio de agressividade extrema em poucos minutos. A controvérsia envolvendo a relativa notoriedade do Hole foi a seguinte: “Live Through This” não teria sido composto por Courtney e companhia, e sim por Kurt. E a banda que tocava nas gravações não era o Hole, e sim o Nirvana. Independente de paternidade, “Violet” é uma baita canção que merece estar nesta lista.

Urge Overkill – Positive Bleeding 

Desconfie de bandas que levam 10 anos para emplacar o primeiro hit. Assim foi com o Urge Overkill, de Chicago, formado em 1985 e que só fez sucesso em 1995 com “Girl, You´ll Be A Woman Soon”, da trilha de “Pulp Fiction”. Só na base da insistência mesmo, já que os caras sempre tentaram emplacar com um pastiche de sonoridade retrô inspirado em bandas dos anos 70. Só que em meio a tanta mediocridade, é possível pinçar uma pérola no repertório da banda. É “Positive Bleeding”, do disco “Saturation”, de 1993. Na época, tocou bastante até no Disk MTV e chamou a atenção não apenas pelos grandes riffs e pelo refrão memorável, mas também pelo belo, interessante e colorido clipe.

Panic At The Disco – Nine In The Afternoon

Pensei que nunca estaria vivo para dizer que adorei uma música de uma banda emo. A culpa dessa língua queimada é do Panic At The Disco, que no ano passado lançou o disco “Pretty Odd”, encabeçado pela FANTÁSTICA “Nine In The Afternoon”. A música merece mesmo as maiúsculas, já que em 3 minutos e 12 segundos a banda consegue soar mais parecida com os Beatles do que o Oasis em toda a carreira. Um piano à la Paul McCartney, uma guitarra à la George Harrison, um refrão com metais à la “Strawberry Fields Forever”, um final com um corinho à la “Hey Jude”… Isso sem falar no clipe, em que há referências psicodélicas e um figurino meio Sgt. Peppers. É tudo plágio, mas é bom.

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5 pensamentos sobre “Top 5 – Grandes músicas de bandinhas safadas

  1. Ah, não, Leo! Falando mal de Catatonia e Hole? hauhauhaahahua
    pois saiba que na adolescência eu era muito fã de Hole e queria ser a Courtney Love (ok, pode sentir vergonha alheia). Live Through This é um disco muito bom. um petardo punk MARA!
    e eu gosto de Catatonia =/
    Nine in the afternoon é linda de morrer e confesso que gostei de algumas músicas do disco deles…

  2. Livrou a cara do Ash, hein? Hehehehehe mantenho o que disse a respeito do Spacehog, mas teria escolhido Celebrity Skin do Hole – de longe a melhor música que eles já fizeram. Abraços!

  3. Porra, tu perdoaste o maior grude dos anos noventa “Brimful of Asha” do Cornershop e colocaste “Violet” do Hole que pra mim faz parte de um album fantástico o Livine Through This… isso é muito assinar atestado de “choreiquandookurtmorreuaquelavacavaipagareuteodeiocourtney(sniff)”
    Nine in the afternoon é medíocre e nem deveria estar na lista.

  4. ouw naum fala mau da minha banda preferida panic at the disc as musicas deles saum ótimas e muito menos chamem de “”bandinha” pq vai tentar vc fazer o sucesso q eles fazem ahh naum consegue né

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