Top 5 – Músicas sobre crise de idade

Minha mãe não cansa de me constranger ao relembrar uma história da minha infância. Quando eu tinha uns 2 ou 3 anos de idade e os adultos me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, a resposta era bem incomum: “Aposentado”. Mas por que, pequeno Leo Aquino? “Porque eu quero passar o dia inteiro de pijama”. Não sei de onde tirei essa idéia. Possivelmente de uma observação superficial sobre a vida do meu avô, que quase sempre estava de pijama nos dias em que eu o visitava.

Hoje em dia não desejo estar aposentado, mas há algo de beneficiário do INSS no meu jeito de ser. Canso de ouvir que tenho “espírito de velho” por mil motivos: sou ranzinza, crítico além da conta, conservadorzinho de plantão, tenho mania de querer ser o dono da verdade e ainda uso algumas gírias idosas. Não são os únicos motivos de eu sentir que não pertenço à idade que o RG me impõe. Enquanto outros caras de 26 anos viram a noite nas baladas, eu penso duas vezes antes de sair na véspera de um dia de trabalho. E por aí vai.

É só um exemplo de que a gente quase nunca está satisfeito com a idade que tem. Adolescentes querem ser adultos para ser donos dos próprios narizes. Jovens adultos sonham voltar à adolescência para relembrar o tempo em que as cobranças e responsabilidades não eram tão grandes. Idosos querem ser jovens adultos para aproveitar a vida sem as limitações de um corpo detonado por artrose, osteoporose e tantas outras “oses”. E aí haja dinheiro para terapia, lamentações em mesa de bar e etc.

E as crises de idade são o tema de mais um inexorável, inarredável e petulante top 5 deste blog. Tem crise pra todo gosto: de homem, de mulher, de jovem, de velho… Escolha a sua e deleite-se com o som.

Manic Street Preachers – 1985

Esta banda galesa é uma das minhas favoritas de todos os tempos e esta faixa está no disco “Lifeblood”, de 2004. É uma música que fala sobre a crise de meia idade, de quem está perto de chegar aos 40 anos. Cita ícones e referências da juventude dos anos 80, como os Smiths e o livro “1984” de George Orwell. No fim das contas, os Manics falam com resignação sobre a passagem do tempo e cantam que é duro perceber não há como voltar à época de juventude.

 

Pulp – Dishes

O Pulp estourou em 1995 com “Different Class”, um álbum ácido, irônico, sarcástico, que fazia críticas à babaquice da classe média britânica e exaltava o voyeurismo e a sacanagem. Só que no disco seguindo, “This Is Hardcore” de 1998, a crise de idade bateu. Quase todas as músicas falam sobre envelhecer. “Dishes” é a mais emblemática. O vocalista Jarvis Cocker cai na real e descobre que é um homem normal e que as únicas coisas que tem em comum com Jesus Cristo são as iniciais do nome e a idade: 33 anos. Ele também diz ter percebido definitivamente que é um cara simples, que fica em casa, lava a louça e conta histórias para as crianças dormirem. E também se diz conformado com o fato de que nunca vai conseguir fazer algo que fuja da realidade mundana.

 

Tom Waits – I Don´t Wanna Grow Up

Faixa do disco “Bone Machine”  de 1992. Quando compôs essa música, Tom Waits já tinha 43 anos. Mas ela fala sobre uma das primeiras crises de idade que o ser humano sente: a vontade de não se tornar adulto. O narrador é um adolescente que se desilude com a vida de gente grande ao ver os pais brigarem, ao ver notícias ruins nos telejornais, e perceber o quanto é duro ter que trabalhar quase que exclusivamente para pagar contas. Essa música também teve uma versão famosa feita pelos Ramones.

 

Long Blondes – Once And Never Again

O Long Blondes é uma bandinha indie pop inglesa que surgiu em 2006 com o sensacional disco “Someone To Drive You Home”. Entre as faixas dessa pepita musical, está “Once And Never Again”, que é uma espécie de conversa entre uma mulher aparentemente na casa dos 30 e outra de 19 anos. A mais velha consola a mais nova, que superestima alguns problemas típicos dessa idade como as desilusões amorosas e o fato de não gostar da escola. E o refrão diz que uma menina de 19 anos não precisa de namorado.

 

Beatles – When I´m 64

Essa música está no clássico “Sgt Peppers”, de 1967, e já foi trilha de um comercial sobre plano de previdência privada no Brasil. Na letra, Paul McCartney se diz preocupado com a passagem dos anos e com o fato de que um dia, ele será um idoso. Quer saber se as demonstrações de amor e carinho podem permanecer intensas mesmo depois de tanto tempo. Ao mesmo tempo, fantasia sobre as coisas que vai fazer aos 64 anos: cuidar das plantas, dos netos, passeios de fim de semana…

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4 pensamentos sobre “Top 5 – Músicas sobre crise de idade

  1. Mais uma jovem-velha se apresentando. E olha que minha falta de pique pra sair conta até quando não tem expediente no dia seguinte. Eu simplesmente não concebo ir pra balada depois de uma semana de agência e universidade!

    Também sou ranzinza, conservadora, crítica, dona da verdade e usuária de gírias idosas. E agora, pra me colocar um pouco mais na velhice real, estou entrando na idade mencionada em propagandas de creme anti-rugas. Tensa.

    Ah, e as músicas são show mesmo.

  2. Adendo: I Don’t Wanna Grow Up eu conhecia pelos Ramones mesmo.

    Sim, até na eterna música da juventude, eu sou Old School…

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