Top 5 – Músicas para infernizar seu/sua ex

luana e dado

Abençoadas são as pessoas que nunca sentiram rancor por um relacionamento que terminou. Bem aventurados são os que jamais desejaram o total fracasso na vida de quem lhe partiu o coração. Felizes são aqueles que, mesmo depois do mais doloroso pé na bunda, conseguem propor um clima de paz sem amor. Como eu acredito que nenhuma dessas três situações é possível, tenho certeza que ninguém nesse mundo é plenamente abençoado, bem aventurado ou feliz. Ou engana a si mesmo ou é tão fora do comum que está infinitamente acima dos seres humanos em se tratando de evolução espiritual.

Se você concorda comigo, não se sinta inferiorizado. O ressentimento , ainda que seja só por esporte, faz parte do processo de cura de uma dor de amor. Desde que você não seja uma nova versão do Lindemberg da Eloá. Cortar contato, maldizer sozinho no canto do quarto, desqualificar todo o círculo social da pessoa… Não é nada que ninguém nunca tenha feito. Não é crime, não é desumano, tampouco vergonhoso. É natural, desde que você não encha o saco dos outros por muito tempo ou coloque uma bala na própria cabeça.

Para te ajudar a vomitar o rancor e superar essa fase o mais rápido possível, Vidas Sonoras preparou mais uma de suas contestáveis, pedantes e inoxidáveis listas. Se você não se sentir mais leve, pelo menos terá cinco boas aquisições para o seu playlist.

Morrissey – The More You Ignore Me, The Closer I Get

O título desta música já é uma paulada por si só. Mas titia Morrissey, enquanto especialista em rancor e ressentimento ltda., dialoga com seu (ou sua, vai saber) ex de uma forma vingativa e onipresente. O narrador recebe indiferença e contra-ataca com fúria. “Agora eu sou uma parte central da paisagem da sua mente, você se importe ou não”. A maledicência atinge níveis de ameaça na segunda estrofe. “Quando você dormir, eu vou rastejar pelos seus pensamentos como uma dívida que você não consegue pagar”. MEDA!

 

Stone Roses – I Am The Ressurection

Quem sacoleja nas pistas de dança com os hits do primeiro disco dos Stone Roses talvez não perceba a amargura de “I Am The Ressurection”. A batida ritmada e contínua amplifica o poder destrutivo da letra: “Não desperdice suas palavras, não preciso de nada de você / não me importa aonde você foi ou o que planeja fazer” ou então: “você é uma inútil, não aguentaria nem mais um segundo na sua companhia”. O final é ainda mais acachapante: “eu nunca conseguiria te odiar tanto quanto eu gostaria”.

 

Afghan Whigs – Be Sweet

Se a cabeça de uma pessoa neurada, transtornada e à beira da autodestruição tivesse trilha sonora, certamente seria composta pelo Afghan Whigs. Esta banda americana tem uma sonoridade mais nervosa que a das bandas grunge e letras que ficam, como diria meu amigo Pedrox, na algibeira da angústia. O álbum “Gentlemen”, de 1993, é uma obra-prima tensa que discorre sobre separações. “Be Sweet”, a terceira faixa, é um grande exemplo de como o caminho até a cura de um coração partido passa por uma trilha forrada de rancor. “Me livrei do peso, agora você está fora do caminho / eu viro e posso caminhar / você não mostrou simpatia, meu amor / e este não era o lugar para você e eu andarmos sozinhos”.

 

Jarvis Cocker – Don´t  Let Him Waste Your Time

Jarvis é um habitué das listas deste blog e um predileto da casa. Com todos os méritos: já cantou sobre todo tipo de neuras, rancores, sentimentos e situações embaraçosas que um homem contemporâneo costuma viver. “Don´t Let Him Waste Your Time” é uma faixa do primeiro disco solo do ex-vocalista do Pulp. Nosso narrador dialoga com uma ex que já está em outra. E, na base de um falso “quem avisa, amigo é”, destila um veneninho de leve. “Porque os anos voam num instante / e você imagina o que ele está esperando / de repente, passa uma vaca magrela de calças apertadinhas / e ele foge pela porta”.

 

Roberto Carlos – Detalhes

A gente ouve Roberto Carlos desde pequeno e talvez nunca tenha prestado atenção no potencial agressivo da letra de “Detalhes”. Cantamos sem malícia, sem noção de quanta mágoa e animosidade existe naqueles versos. “Não adianta nem tentar me esquecer, durante muito tempo em sua vida eu vou viver” é um refrão inofensivo perto de algumas estrofes. “Se outro cabeludo aparecer na sua rua e isto lhe trouxer saudades minhas, a culpa é sua” é um tapa na cara, um bofete dos mais insolentes. Robertão ainda ironiza e pragueja sua ex: “Se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada / não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada”. Não mexam com o homem!

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6 pensamentos sobre “Top 5 – Músicas para infernizar seu/sua ex

  1. a do Jarvis é um banho de água fria. e a melodia é contagiante. bem bem legal, tenho esse disco dele.

    Leo, tuas listinhas estão cada vez mais legais. Nick Hornby da Amazônia \o/

  2. olha, tenho muito orgulho de você, Leo! que bom que gostou do Afghan Whigs. infelizmente é uma banda não muito lembrada da chamada “era grunge”, digamos assim. pra mim, umas das melhores. “Gentleman” é sublime.
    suas listas sempre legais, mas tá na hora de colocar outra coisa que não seja só Pulp e Jarvis, kkkkkkkkk

  3. Eu me sinto abençoada, bem aventurada e feliz, pois, não guardo rancor dos meus relacionamentos anteriores, não desejo o fracasso na vida de ninguém e tentei muitas e muitas vezes conseguir propor um clima de paz sem amor (principalmente com meu último relacionamento, mas foi em vão, da parte dele).
    Não estou me enganando e nem sou fora do comum mas, tenho uma coisa que perpetuo em minha vida: tudo o que vai, volta. Seja bom ou ruim mas uma hora volta.
    Como eu quero que retorne só coisas boas para mim, procuro ao máximo retribuir o mal com bem.
    Nesse Top Five poderia ter entrado mais uma do Morissey “That’s How People Grow Up” ou toda a dor de Gwen Stefani tranformada na sofrida “Don’t Speak” do No Doubt.

  4. “Felizes são aqueles que, mesmo depois do mais doloroso pé na bunda, conseguem propor um clima de paz sem amor.”

    Você foi brilhante nessa sua colocação. Incrível como essa é uma das primeiras verdades da humanidade.

    Há alguns meses me despojei de um amor. O engraçado é que enquanto ainda havia sentimento eu injuriava o pobre do rapaz, me debatia com algumas atitudes, até, bem intencionadas dele. E quando deixei de gostar, simplesmente a raiva passou. Era dor de cotovelo? Claro que era! Como é triste uma dor de cotovelo né?

    Acho que não é impossível aceitar com resignação um pé na bunda. Difícil sim, mas não impossível. O ser humano é que é um bicho orgulhoso demais pra aceitar que o outro não quer a mesma coisa.

    Agora, essa trilha meu amigo… puta q pariu. Perfeita! Mandou muito.

    Bjssssss

  5. Boa lista, mas faltou citar o mestre da dor de cotovelo, Lupicínio Rodrigues. O gaúcho tem a mais extensa folha de serviços prestados aos rejeitados, traídos e amantes vingativos de todo o planeta.
    E são quase todas músicas belíssimas, apesar de dolorosas. Exemplos não faltam, como “Nervos de Aço” que diz: “Eu não sei se o que trago no peito / É ciúme, despeito, amizade ou horror / Eu só sei é que quando a vejo / Me dá um desejo de morte ou de dor”, e “Vingança” que vai direto ao ponto: “Eu gostei tanto, tanto quando me contaram / Que lhe encontraram chorando e bebendo na mesa de um bar / E que quando os amigos do peito por mim perguntaram / Um soluço cortou sua voz, não lhe deixou falar / Ah, mas eu gostei tanto, / Tanto quando me contaram / Que tive mesmo que fazer esforço / Pra ninguém notar”.

    Abs

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