Cinco grandes filmes argentinos de 2010

El Hombre De Al Lado (de Gastón Duprat e Mariano Cohn)

Leonardo (Rafael Spregelburd) é um renomado designer que vive numa casa projetada por Le Corbusier na cidade de La Plata. Nem imagina que tem como vizinho o vendedor de carros usados Victor (Daniel Aráoz), um tipo bronco e uma espécie de bon vivant com sérias restrições orçamentárias. Um dia, Victor decide quebrar uma parede da casa para abrir uma janela e dá de cara com a sala de estar da mansão de Leonardo. O vizinho rico sente sua privacidade invadida e impõe de uma forma ríspida que o buraco seja fechado. Com muito mais lábia e carisma que Leonardo, Victor se transforma em dono da situação e passa agir como um gracioso psicopata, como se isso fosse possível. Manda flores para a esposa de Leonardo, entretém a filha do vizinho na janela com um teatro de bonecos improvisado com restos de frutas e entra em uma festa na mansão como namorado de uma das convidadas. Daniel Aráoz tem um largo histórico de ator cômico e consegue conduzir a trama num tênue limite entre o nervosismo e o humor até o surpreendente final. “El Hombre De Al Lado” foi premiados nos festivais de Sundance e Mar Del Plata e foi o segundo filme mais votado na seleção argentina para o Oscar de 2011.

Baixe o torrent aqui.

 

Carancho (de Pablo Trapero)

O filme que pode render o bicampeonato da Argentina no Oscar de melhor produção estrangeira em 2011 é um thriller policial nervosíssimo. “Carancho” (que no Brasil ganhou o título de “Abutres”) trata da indústria de indenizações por acidentes de trânsito, que envolve advogados, funcionários da saúde pública e até mesmo pessoas que aceitam machucar a si mesmas para “fabricar” um acidente. O protagonista é o onipresente Ricardo Darín, que está no ganhador do Oscar “O Segredo De Seus Olhos”e em onze de cada dez filmes argentinos que chegam ao Brasil. Darín interpreta Sosa, advogado que vive de ser “abutre” desde que teve a licença cassada. Num dos seus “trabalhos” noturnos, conhece Luján (Martina Gusmán), uma jovem paramédica por quem se apaixona. Os dois acabam se tornando parceiros de cama e de golpe, já que Luján pede a Sosa que ajude a família de um paciente a conseguir uma indenização fraudulenta. Aos poucos, a médica vira alvo dos inimigos que Sosa fez em longos anos de golpes. “Carancho” tem algo de filme brasileiro bem sucedido dos anos 2000: câmera nervosa, tema urbano, palavrões e porrada a valer. Mas dá o xeque-mate ao ser primoroso em algo dificílimo de fazer, especialmente em cenas de acidentes de trânsito: bons planos-sequência.

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Dos Hermanos (de Daniel Burman)

Filmes sobre família, quando acertam a mão, são incríveis. “As Invasões Bárbaras”, “Os Excêntricos Tenembauns” e “Pequena Miss Sunshine” são só poucos exemplos. À essa lista, é impossível não acrescentar “Dos Hermanos” (que no Brasil foi lançado com a tradução literal “Dois Irmãos” no título”. A película mostra a história de dois irmãos na casa dos 60 anos de idade que têm que lidar com a morte da mãe e o fato de que não têm nada a ver um com o outro. Marcos (Antonio Gasalla) é um delicado e educado senhor que dedicou os últimos anos da vida a cuidar da mãe e vê na morte dela uma espécie de liberdade. Susana (Graciela Borges) é uma corretora de imóveis histérica e de honestidade questionável, além de notadamente sem apego à família. Solitários e em busca de algo que os complete, os irmãos acabam tendo que superar as diferenças para conviver. Afinal de contas, um é tudo o que resta ao outro para se apegar. “Dos Hermanos” é uma história sensível sem ser piegas, enriquecida pelo excelente trabalho de dois excelentes e veteranos atores.

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Sin Retorno (de Miguel Cohan)

Outro filme nervoso, mas em uma dose menor que “Carancho”. “Sin Retorno” conta a história de três personagens unidos por um acidente de trânsito. Matías (Martín Slipak) atropela e mata um jovem ao voltar de uma festa no carro da mãe. Esconde a história durante dias, até que não suporta o sentimento de culpa e conta para os pais, que passam a fazer de tudo para acobertar os fatos. Victor (Federico Luppi), pai da vítima, não se acomoda e começa a organizar manifestações para pressionar as autoridades a punir o assassino de seu filho (que ninguém sabe ainda quem é). As investigações acabam incriminando Federico (Leonardo Sbaraglia), um humorista que havia se envolvido num incidente com o jovem minutos antes do atropelamento fatal. Federico é julgado, condenado e passa mais de três anos na prisão. Sai da cadeia com desejo de esclarecer os fatos e fazer com que o real culpado pela morte do jovem pague pelo que fez. Guardadas as devidas proporções, é quase um “Cabo do Medo” com menos sangue e mais suspense psicológico. Tem um final surpreendente, para o bem ou para o mal.

Ainda não tem torrents disponíveis.

 

La Lengua Materna (de Liliana Paolinelli)

Falar de homossexualismo no cinema já não é mais uma novidade tão grande. Mas o trunfo de “La Lengua Materna” é oferecer um ponto de vista que provavelmente seja inédito. A protagonista do filme é Estela (Cláudia Lapacó), uma simpática idosa que descobre quase sem querer que sua filha Ruth (Virginia Innocenti), já na casa dos 40 anos, é lésbica. Em vez de questionar ou rejeitar a filha, Estela decide aceitá-la e busca entender as regras desse mundo desconhecido. Acaba gerando uma situação curiosa: a filha, que deveria se alegrar com a aceitação, passa a sentir a privacidade invadida. A atriz Cláudia Lapacó, que interpreta seu primeiro papel como protagonista em mais de 50 anos de carreira, encanta ao desenvolver uma personagem sensível, bondosa e, de certa forma, ingênua.

Ainda não tem torrents disponíveis.

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6 comentários sobre “Cinco grandes filmes argentinos de 2010

  1. Assisti pouca coisa de cinema argentino na minha vida, mas até aí não me sinto tão culpada porque também assisto pouco coisa de cinema brasileiro contemporâneo, hehe. Mas conheço alguns filmes e diretores da América do Sul. O último que vi, interessantíssimo e bem bacana, foi ‘Whisky’ do Uruguai, dirigido pelo Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll.
    E, bem, eu tenho um exemplar de ‘Valentin’ (argentino) na minha filmoteca, um dos personagens mais adoráveis que o cinema já criou.
    O foda é que dificilmente veremos esses filmes por aqui. No máximo chega numa Mostra de Cinema que sempre está lotada e é um sacrifício conseguir um ingresso. Um ou outro entra num circuito maior. Uma pena.

    • Juliana, não chega nada, nadica de nada. Aí, o cabra – eu, por exemplo – fica atrás deles para “baixar”. Vê só, a gente baixa o nível para encontrar o que tanto procuramos. Não dá lucro para as produtoras, o que nos resta é o Darin com aquela cara de preá. Continuo minha busca. Sorte para nós. Stanley

  2. Caramba! Muito bom este post. E realmente, o cinema argentino tem nos dado um super banho. Tenho visto ótimos filmes! Tanto é que sempre que vejo um argentino em cartaz tenho ficado curiosa para ver..
    parabéns por disponibilizar para nós !

  3. Há algum tempo passei a ver filmes argentinos, e devo dizer que dão de 10 nos brasileiros.
    Pena que não passem no circuito comercial como gostaria….mas sempre se consegue alguns nas locadoras.
    Vamos continuar correndo atras deles.

  4. Assisto o cinema argentino e não acho nada demais, O CINEMA BRASILEIRO É INCRÍVEL ASSISTO SEMPRE. A NOSSA CINEMATOGRAFIA É ÚNICA NO MUNDO.

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