Life is both a major and a minor key

ryan-adams

Poucas coisas me emocionam mais na música pop que a passagem de um acorde maior para um menor. Ela tem uma beleza singela e visceral ao mesmo tempo. É de uma simplicidade gritante e de uma ferocidade discreta. Som agridoce de uma bipolaridade contida.

Melhor do que tentar descrever e correr o risco de meter os pés pelas mãos numa poesia patética é mostrar alguns exemplos que você certamente já ouviu.

No refrão de “Crazy”, do Aerosmith, quando Steven Tyler canta “baby, I go crazy”.

Na última vez em que Noel Gallagher canta “don´t look back in anger”, num dos maiores sucessos do Oasis.

No final do refrão de “In my life”, dos Beatles.

Nunca aprofundei muito os estudos de música. Toco violão e guitarra desde os 14 anos, mas o teto do meu conhecimento teórico ficou nas revistinhas que ensinam a tocar os sucessos do momento. Mas lembro que uma delas me ensinou a formação dos acordes. Os acordes maiores são formados por três notas pertencentes a uma escala, com um intervalo de dois tons entre si. Nos acordes menores, o intervalo entre a primeira e a segunda nota é de um tom e meio.

(por qualquer tosqueira que tenha escrito ao tentar explicar, peço perdão aos professores de música que eventualmente estão lendo esse texto)

Lembro de ter ficado impressionado com isso. Apenas um tom abaixo numa simples notinha pode fazer uma enorme diferença de humor numa canção. Acordes maiores costumam ser brilhantes, alegres, às vezes até estridentes. Acordes menores são fechados, graves e eventualmente melancólicos. Se uma música é toda construída em cima de um ou outro tipo de acordes, você percebe a predominância desses sentimentos.

Alguém pensou nisso antes de mim e criou um perfil no Vimeo chamado major scaled. O camarada catou algumas famosas canções em tom menor e as colocou numa escala de acordes maiores. Descontadas algumas pequenas barbeiragens, as adaptações ficaram curiosas. “Riders on the storm”, um dos hinos soturnos dos Doors, virou uma celebração à fofura. “Nothing else matters”, do Metallica, ganhou luz e brilho. E “Losing my religion”, do REM, quase virou uma canção de amor em vez de um grito de desespero.

Escute, sinta a diferença e concorde comigo. Ou não.

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